Panorama: um ano após o episódio Brumadinho
- 4 de abr. de 2020
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No dia 25 de Janeiro de 2019 aconteceu o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão no município de Brumadinho-MG, comandada pela empresa Vale. Após completar 1 ano do ocorrido, é possível contabilizar dados que afetaram diversos setores e cidadãos brasileiros.
A cidade dependente da mineração viu seus índices caírem significativamente na indústria extrativista por conta da paralisação da extração de minério de ferro e pelo aumento da fiscalização de outras mineradoras da região de Minas Gerais, que por vezes foram fechadas devido a inadimplências. O turismo também não ficou para trás: o Instituto Inhotim, um museu a céu aberto, e os hotéis perderam suas visitações, visto que a cidade estava coberta de lama com rejeitos, inviabilizando também o plantio para manter o setor da agricultura local.
Para a população, foram distribuídos pagamentos de auxílio emergencial de um salário mínimo aos adultos, meio salário mínimo aos adolescentes e 25% às crianças, assim como indenizações para reparar bens e propriedades perdidas.
Segundo dados levantados pelo jornal Estado de Minas, cerca de 1,3 milhão de pessoas que vivem às margens do Rio Paraopeba podem estar contaminadas com metais pesados. Existem depoimentos de moradores que relatam ardência e sangramento na pele, principalmente quando expostos ao sol. Entre a população também houve um aumento na procura de antidepressivos: tendo em vista o número de mortos e desaparecidos e a perda de residências, muitos se encontraram com saúde mental abalada.
Quem também sofreu as consequências do rompimento da barragem foi o meio ambiente: o Instituto Estadual de Florestas afirma que a área atingida pelos rejeitos foi de 147,38 hectares.
O tsunami de lama acarretou na alteração do ecossistema com mortes de animais, plantas e degradação total do Rio Paraopeba. Este, que é um dos afluentes do Rio São Francisco e que garantia o abastecimento de cerca de 2,3 milhões de pessoas, tornou-se um rio morto, tendo em vista que não há mais condições para vida aquática ou uso da água pela população. Deve-se pontuar que a degradação do rio não se deu apenas pela contaminação por metais pesados, mas também pela perda da floresta nativa de Mata Atlântica que situava-se na região de cabeceiras do rio.
A infertilidade do solo é outro ponto a ser considerado. De acordo com o Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais (NUCRIM), as áreas utilizadas para cultivo e pastagem de animais foram diretamente atingidas pelos rejeitos, o que implicou tanto no comprometimento da vegetação utilizada para alimentação de animais quanto na fertilidade do solo.
Finalmente, pode-se concluir que, mais de um ano após o acidente, a população local depara-se com as consequências sociais, econômicas e ambientais que ainda assolam a cidade e, de acordo com especialistas, tais consequências irão existir por muitos anos.
Referências
BRASIL DE FATO. Brumadinho: sem acesso a exames, 1 milhão de pessoas podem ter metal pesado no sangue. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/especiais/brumadinho-sem-acesso-a-exames-1-milhao-de-pessoas-podem-ter-metal-pesado-no-sangue. Acesso em: 31 mar. 2020.
ESCOLA KIDS. Tragédia Brumadinho. Disponível em: https://escolakids.uol.com.br/ciencias/tragedia-brumadinho.htm. Acesso em: 31 mar. 2020.
G1. Com impactos na agricultura, mineração e turismo, tragédia da Vale traz incertezas para futuro da economia de Brumadinho. Disponível em: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/07/24/com-impactos-na-agricultura-mineracao-e-turismo-tragedia-da-vale-traz-incertezas-para-futuro-da-economia-de-brumadinho.ghtml. Acesso em: 31 mar. 2020.
JORNAL ESTADO DE MINAS. Lama de barragem matou o Rio Paraopeba, conclui estudo da SOS Mata Atlântica. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2019/02/28/interna_gerais,1034405/lama-matou-o-rio-paraopeba-conclui-estudo-da-sos-mata-atlantica.shtml. Acesso em: 31 mar. 2020.
MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS. Ação civil pública em defesa do meio ambiente. Acesso em: 3 abr. 2020.
NEXO. Brumadinho, 1 ano: as causas da tragédia e a realidade dos atingidos. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/01/24/Brumadinho-1-ano-as-causas-da-trag%C3%A9dia-e-a-realidade-dos-atingidos. Acesso em: 31 mar. 2020.

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